Escritora e doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Tocantins - UFT, Lita Maria é autora de romances atravessados por vozes femininas, ancestralidade, casa, luto, religiosidade popular e sobrevivência no sertão brasileiro.
Comece pelo “Ciclo Literário de Lita Maria”
Sou Lita Maria, escritora e doutoranda em Letras, e apresento o Ciclo Literário com as vozes do sertão, projeto literário composto por obras interligadas que exploram o sertão como território simbólico de vozes femininas, ancestralidade, memória, identidade e oralidade. O Ciclo é um projeto literário composto pelos romances O canto da carpideira, Sobre Dora e dores, A casa de Todos os Santos e Mulher de currutela, obras independentes que dialogam entre si pela centralidade das vozes femininas, pela força simbólica do sertão e pela investigação das heranças afetivas, sociais e históricas que atravessam gerações.
Com uma narrativa simples e visceral, Lita Maria revela o cotidiano sofrido dos moradores do povoado de Campineira do Anu Preto, lugar ficcional, onde a vida escoa lentamente no ritmo do sertão.
Sobre Dora e dores pretende desnudar a breve passagem de Dora por Campineira do Anu Preto. Para tanto, escancara um enredo de mortes prematuras, de orfandade, de abandono, de doenças conhecidas e desconhecidas do povaréu daquele lugar. “Sobre Dora e dores” não esgota com clareza o destino dos personagens protagonistas e antagonistas que conduziram o fio do cotidiano lento e inexorável que marcou aqueles anos.
O fio condutor da trama é o olhar atento sobre as relações de confiança e desconfiança entre a mulher que chora um defunto alheio – carpideira tarimbada e a moça Dora.
Está em processo de adaptação para o cinema (longa-metragem, com Marcélia Cartaxo, Buda Lira, Carlos Francisco e grande elenco). Também foi indicado ao vestibular EXATO, foi tema de pesquisa de mestrado, inspirou artigos científicos, foi lido em clubes de leitura e está traduzido para a língua ingles.
O romance revela o cotidiano sofrido, monótono e simples de pessoas também simples, moradoras de lugares ermos, quase anônimos, no interior do Brasil. O romance está ambientado ficcionalmente nos arredores do povoado conhecido como Campineira do Anu Preto, lugar de gente que tira da lida diária, à custa de muito sofrimento, o sustento próprio e o da família.
O enredo é construído a partir do trabalho da parteira e da profissional que chora um defunto alheio, que é a carpideira ou pranteadeira que, por um acordo com a família do defunto, pranteava o morto.
Qual o motivo de contratar uma carpideira para prantear um defunto? Há vários vieses. Um deles é a tentativa de marcar a morte com a beleza do ritual de despedida, através de cantos bem entoados e lamuriados, em um clima de saudade, são as ladainhas ou inselências. Há ainda o poder que a carpideira tinha, através de seu canto, de atenuar os pecados do defunto.
Sobre o aprendizado de ambas as profissões – a parteira e a carpideira, vê-se que elas partem de conhecimentos passados de mãe para filha, via oralidade. Essas profissões muitas vezes tinham a sua paga feita com crias caseiras, emoldurando algum lugar no interior do Brasil, onde a rotina e a melancolia das casas simples são metáforas de vida e morte, deixando entrever o sertão que habita cada uma de nós.